Exportação retoma crescimento e balança tem superávit recorde

A balança comercial se transformou definitivamente em vedete no muro de lamentações da economia brasileira. Teve o maior superávit para meses de fevereiro desde que a série histórica foi iniciada, em 1989, e agora pode ser comemorada por seus aspectos positivos. As importações continuaram em trajetória de queda, como reflexo do nível de atividade e do ajuste cambial, mas as exportações registraram crescimento pela primeira vez em 17 meses quando comparadas com igual período do ano anterior.

O déficit de US$ 2,840 bilhões verificado em fevereiro de 2015 se inverteu e virou superávit de US$ 3,043 bilhões no mês passado. No acumulado do ano, o saldo encosta em US$ 4 bilhões.

O dado mais celebrado foi a retomada do crescimento das exportações, que não ocorria em bases anuais desde agosto de 2014, quando a alta já havia sido modesta ­ apenas 0,1%. Em fevereiro, os embarques de produtos brasileiros tiveram expansão de 4,6%. O melhor de tudo é que esse aumento foi puxado pelo desempenho dos bens manufaturados.

“Depois de algum tempo de uma taxa de câmbio mais competitiva, e de reiteradas declarações do meio empresarial sobre os esforços empreendidos para ampliar suas vendas externas e promover a substituição de importações de certos insumos, ou produtos acabados, essa evolução pode significar algum indício de reviravolta”, afirmou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em relatório sobre a balança comercial.

O superávit de US$ 3 bilhões, o maior da série histórica para o mês, veio acima da expectativa de mercado, de US$ 2 bilhões, conforme destaca nota da Rosenberg Associados. O desempenho da exportação no mês surpreendeu a consultoria, que chegou a colocar um viés de alta na projeção de saldo positivo de US$ 40 bilhões para este ano. A previsão do Ministério do Desenvolvimento, feita em dezembro e ainda mantida, é de superávit de US$ 35 bilhões.

Rafael Bistafa, economista da Rosenberg, diz que é necessário observar o comportamento das exportações nos próximos meses, principalmente para a Argentina, grande destino de manufaturados brasileiros. “Vamos acompanhar como caminha o país com o novo presidente”, afirma Bistafa, referindo­-se a Mauricio Macri.

O diretor de Estatística e Apoio à Exportação do ministério, Herlon Brandão, chamou atenção para o desempenho da indústria automotiva. Foram embarcadas 51 mil unidades de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões em fevereiro. Isso representa expansão de 85% sobre o mesmo mês do ano passado. As vendas para a Argentina e para o México mais do que dobraram no primeiro bimestre.

As vendas de manufaturados como um todo aumentaram 7,9%. Sua participação no total exportado subiu de 40,3% para 41,5% nos últimos 12 meses. Os bens agrícolas também deram uma contribuição importante para o resultado. Em fevereiro, com a colheita ainda no início, houve embarques de dois milhões de toneladas de soja e cinco milhões de toneladas de milho. “Não é muito quando se compara com o pico da safra, mas é um ótimo desempenho para essa época do ano”, disse Brandão.

As importações tiveram queda de 34,6% na média diária e fecharam o mês de fevereiro em US$ 10,305 bilhões. Houve recuo de 26,9% nas quantidades importadas e de 10,6% nos preços. Houve uma economia de US$ 1 bilhão, por exemplo, com a compra de petróleo e derivados.

Bistafa, da Rosenberg, considera preocupante o ritmo acelerado de redução das importações. “Os indicadores têm vindo pior que o esperado e isso mostra que talvez a perda de dinamismo da atividade doméstica não tenha chegado ao fundo do poço”, acrescentou. No acumulado de 12 meses, o superávit da balança avançou para US$ 29, 7 bilhões.

Daniel Rittner e Marta Watanabe – Valor Econômico

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